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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Privatizar a DESO Vale a Pena?

Olá, amigos, segue mais um artigo de opinião produzido por aluno do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2016. Vamos ao artigo:

Privatizar a DESO Vale a Pena?


Moro em uma cidade de Sergipe chamada Nossa Senhora da Glória, mais conhecida como a Capital do Sertão, com pouco mais de 35 mil habitantes. Mesmo sendo situada em uma área com baixa pluviosidade, sua maior economia é derivada do campo, que faz o comércio crescer, gerando o desenvolvimento da cidade e da região.

A população do nosso município e, principalmente, do setor rural que,em sua maioria é de baixa renda, tem a necessidade de abastecimento de água. A companhia de saneamento de Sergipe (DESO) é quem faz esse abastecimento, assim renovando, a cada dia, a esperança do povo do sertão.

Porém essa esperança está próxima do fim devido a uma proposta do atual governador de Sergipe de federalizar a DESO e, posteriormente, privatizá-la em troca de uma dívida do Estado com o Governo Federal. A proposta foi encaminhada para a Assembleia Legislativa de Sergipe, motivada pelo projeto de Lei complementar (PLC) 257/2016, que tramita no Congresso Nacional, segundo o qual a união fica autorizada de transferir bens, direitos e participações acionárias em sociedades empresariais controladas por estados. Minha preocupação não é a federalização em si, mas sim, o que ela vai ocasionar depois.Existe a denúncia da provável privatização de um bem público. Sem dúvida, essa não é a melhor saída para o estado, nem para a DESO.

Nesse sentido, os que são contrários à proposta alegam a perda de direito, tanto para os servidores que ficarão desempregados, como também para as famílias atingidas, que relatam o possível aumento da tarifa e a não assistênciaem lugares remotos.

Os que são a favor relatam que a companhia não vem prestando seu papel de forma satisfatória. Como exemplos disso, temos a falta de água frequente e a coloração da água que chega às torneiras. Épossível que a privatização melhore bastante a qualidade do serviço, pois quando a Companhia de Energia de Sergipe (a antiga ENERGIPE, atual ENERGISA) foi privatizada, isso aconteceu.

Os trabalhadores da DESO, mesmo sendo contra a federalização e confirmando a denúncia de privatização, não negam a existência de um sucateamento cada vez mais frequente. Primeiro, porque há escassez de material para ser realizada uma simples ligação de água. Além disso, muitas vezes não conseguem desempenhar o trabalho com eficiência, porque também às vezes faltam equipamentos de proteção individual (EPI).

A princípio, fiquei feliz com a notícia da federalização, pois, finalmente, a DESO teria seus problemas resolvidos, bem como a situação de seus servidores. Mas, infelizmente, após saber o real motivo, não creio que esse processo seja viável ou benéfico para o estado de Sergipe.

Primeiramente, a DESO é uma empresa mista, com 99% do capital nas mãos do estado de Sergipe,logo, é uma empresa pública que tem o papel de manter a divisão dos recursos para o povo, para os trabalhadores. Então, a partir do momento que privatiza, retrocede o processo histórico que vem de conquistas para a sociedade brasileira em geral.

Em segundo lugar, como a água é um líquido precioso e insubstituível e como só temos 2% de água doce no planeta, existe interesse de as grandes empresas se apossarem desse monopólio para usufruir da comercialização. De acordo com a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), água e saneamento fazem parte dos direitos fundamentais do homem. Só isso justificaria a não venda desse setor.
Além disso, o presidente do sindicato dos trabalhadores de água e esgoto de Sergipe (Sindisan), José Sérgio Passos, chamou a atenção da sociedade para a tarifa social da DESO, que atualmente é de R$ 27,50. Segundo estudos realizados, uma família composta por quatro pessoas que consegue viver com 10m3 de água por mês paga apenas o preço de tarifa. Entretanto, se a empresa for privatizada, essa tarifa com certeza terá um acréscimo grande. Percebemos como sofremos com a tarifa de energia elétrica, depois que a Energisa foi privatizada.

Ademais, quando se privatiza o setor elétrico e o setor de saneamento, é como se os rios também fossem destinados ao uso privado, e são riquezas muito mais valiosas que qualquer outra riqueza em cofres. É indiscutível que sua devida exploração deve sempre ter contrapartida destinada ao povo, logo, deve ficar nas mãos do Estado.

Assim, a manutenção da DESO como patrimônio público é contribuição direta para o crescimento econômico e social do estado de Sergipe, principalmente para as regiões mais desfavorecidas.

Em resumo, diante das circunstâncias difíceis que estamos vivendo, políticas e financeiras, com certeza a Assembleia Legislativa de Sergipe tem que analisar esse projeto, inclusive com a presença do próprio governador numa comissão especial, para que não venhamos a tomar nenhuma medida precipitada que amanhã se torne um grande problema contra o nosso estado.
Renisson Nascimento - 3º D

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Nós temos opinião

Olá, amigos, vamos publicar aqui alguns artigos de opinião produzidos por alunos do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2016. Vamos ao primeiro deles:

PELOS DIREITOS DAS NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES


Minha cidade, Nossa Senhora da Glória, localizada na Região Noroeste do estado de Sergipe, possui uma população estimada de 35.000 habitantes e sua economia, atualmente, gira em torno da pecuária, da agricultura, de pequenas indústrias e do comércio, do qual faz parte a feira livre, que é a mais importante da região. E é nesse cenário que crianças e adolescentes são vistos, frequentemente, trabalhando, o que gera polêmica entre os cidadãos glorienses. Há os que são a favor, que acham isso natural, e os que são contra, que defendem os direitos desses jovens. 

Como moradora da cidade, posso afirmar que é extremamente comum chegar ao centro do comércio e se deparar com várias crianças e adolescentes, das mais diversas idades, trabalhando com carrinhos de mão, ou guiando carroças de burro lotadas de produtos em troca de ganhar alguns trocados. Os clientes que utilizam esses serviços acham, de forma errônea, que usufruindo deles estão contribuindo de forma positiva para essas crianças. Outros jovens são vistos trabalhando em bancas de feira e alguns andam pela cidade empurrando carrinhos, vendendo picolé. É importante ressaltar que essa é a parte mais visível do trabalho infantil, mas há também vários deles que fazem trabalhos domésticos, ou nas lavouras, na lida com gado, entre outros serviços, e que acabam ficando menos visíveis, mas sabemos que existem. Há dados de pesquisas que revelam que “Glória”, como é mais conhecida, está entre as cidades com maiores índices de trabalho infantil do estado. 

Para as pessoas que são a favor e não veem nenhum problema nesse tipo de trabalho, é melhor que eles estejam trabalhando do que na rua fazendo coisas erradas, além do fato de alguns ajudarem nas despesas da família com o lucro que obtém e porque muitos dizem trabalhar por opção. 

Porém, mesmo trabalhando, isso não muda o fato de estarem nas ruas, portanto não há garantia alguma de que não vão se envolver com coisas erradas, de que não vão conviver com más companhias, e de que não possam ser corrompidos de alguma forma. Quanto aos que ajudam no sustento da família, é claro que não podemos culpar os pais por, muitas vezes, não conseguirem uma renda suficiente, mas também não se pode jogar esse tipo de responsabilidade para jovens que estão apenas começando a vida, e cuja única preocupação deveria ser com os estudos. Sobre os que dizem que trabalham porque querem, em minha opinião, afirmam isso porque não têm outras oportunidades, outras ocupações, e porque muitos não se sentem atraídos pela escola, pela forma com que o ensino é aplicado. 

Por isso, assim como muitas outros glorienses, sou contra esse tipo de trabalho, pois essas crianças e adolescentes é que estão sendo prejudicados tanto no presente, quanto futuramente. Desde sempre perdem os direitos, direito à saúde, ao lazer, à educação, à cultura, à dignidade, ao respeito, ou seja, direito de ser criança, de ser adolescente. 

Sem dúvidas, podemos constatar que esses jovens que deixam de estudar, ou não têm um bom rendimento escolar em função do trabalho, quando chegam à fase adulta e, aí sim, precisam trabalhar, encontram dificuldades, justamente por não terem uma boa escolaridade. 

Outro fato é que, assim como diz a médica pediátrica do Hospital de Urgência de Sergipe, HUSE, Edda Machado, em suas palestras sobre o enfrentamento do trabalho infantil, o aspecto psíquico desses jovens pode ser muito afetado e ainda mais o aspecto física, pois como estão na fase mais importante de desenvolvimento corporal e começam a trabalhar de forma inadequada, pegando pesos exagerados, incondizentes com o que suportam, provavelmente, já terão problemas de saúde e poderão ter comprometimentos que irão atrapalhá-los na fase adulta. 

Além do mais, segundo a constituição vigente no país, a idade mínima para trabalhar é de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, que vai de 14 a 16 anos, mas, com carga horária menor estipulada, com supervisão e desde que não atrapalhe os estudos. Há ainda restrições para trabalhos que prejudicam a saúde para os menores de 18 anos. Bem diferente do que é visto: jovens de todas as idades, em todos os tipos de trabalhos, com hora certa para começar a trabalhar, mas sem hora certa para terminar. 

Recentemente, assisti a uma reportagem sobre crianças e adolescentes da nossa região que participam de projetos sociais, justamente voltados para erradicação do trabalho infantil e inclusão do jovem na sociedade de forma digna. Realmente, não podemos negar que algumas políticas públicas estão sendo realizadas com essa intenção, porém parece haver grandes dificuldades, pois não há o resultado esperado e ainda vemos o trabalho infantil com muita frequência. 

Certamente, não são as políticas públicas que devam ser mudadas, e sim a forma como são executadas. É preciso que haja uma maior tentativa de conscientização da população, uma maior visibilidade dessas ações e mais informações a respeito, tais como: para quem são voltadas e, principalmente, como funcionam. É necessário que esses ambientes tenham boas estruturas e que ofereçam boas condições de trabalho, para que os jovens sejam atendidos da melhor forma possível. As atividades realizadas devem ser atrativas, isso vale não só para os projetos, mas também para as escolas, a fim de que eles sintam interesse em participar e aprender. E é muito importante dar apoio não somente aos jovens, mas também às famílias, já que muitos estão nessas condições por falta de estrutura familiar. 

Enfim, diante de tudo isso, reafirmo ser contra o fato de esses jovens trabalharem, é preciso que seus direitos sejam respeitados, para que cresçam e se tornem adultos bem estruturados e que também respeitam os direitos das próximas gerações.

Maria Amanda Pedral dos Santos - 2º D

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

José Mateus da Costa Silva, um vitorioso!

Os glorienses festejam o resultado obtido pelo aluno José Mateus da Costa Silva na Etapa Estadual da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro".  Nosso querido Mateus, orientado pelo professor Jorge Henrique Vieira Santos, teve seu artigo de opinião selecionado para participar da Etapa Regional da Olimpíada. Mas o que isso significa mesmo? Vamos entender?
Essa 4ª edição da Olimpíada bateu um novo recorde no número de inscrições: foram 170.267 turmas de estudantes de 46.902 escolas em todos os Estados brasileiros. Essas turmas realizaram oficinas orientadas por mais de 100 mil professores inscritos. Todos os Estados e 90% dos municípios brasileiros aderiram oficialmente à Olimpíada. 
Em Sergipe, foram 1.595 inscrições realizadas nas quatro categorias (Poesia, Memórias, Crônicas e Artigo de Opinião). 881 professores de 485 escolas participantes empenharam-se em realizar as oficinas com seus alunos. 
Em meio a tantos inscritos, depois de ter passado pelo crivo de três Comissões Julgadoras (a Escolar, a Municipal e a Estadual), o artigo de opinião do aluno José Mateus foi selecionado como um dos 125 artigos semifinalistas de todo o país, feito que já lhe rendeu a medalha de bronze. 
Por essa conquista, o aluno do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa participará, juntamente com seu professor, Jorge Henrique, da Etapa Regional da Olimpíada, que acontecerá em Brasília/DF, nos dias 17, 18 e 19 de novembro. A etapa reunirá os 125 professores e 125 alunos semifinalistas de todo o Brasil na categoria Artigo de Opinião para uma troca de experiências. Lá Mateus reescreverá seu artigo com o apoio de seu professor, a fim de aprimorá-lo e submetê-lo à Comissão Regional da Olimpíada. Caso seja selecionado, estará entre os 38 finalistas de sua categoria e disputará a medalha de ouro. 
Medalhas à parte, independente dos próximos resultados, Mateus já é um vitorioso, pois, juntamente com seus colegas de turma, desenvolveu habilidades linguísticas e discursivas fundamentais para manifestar um posicionamento crítico diante de questões polêmicas que envolvem a vida de sua comunidade. As oficinas da Olimpíada, mais do que estimular a competição, realizam uma revolução metodológica nas salas de aula de todo o país e promovem uma formação continuada para os professores inscritos. Trata-se de uma metodologia eficaz que produz ótimos resultados. A prova disso é o artigo produzido por nosso Mateus. Vamos a ele:

QUE A GANÂNCIA NÃO DESTRUA O VERDE QUE AINDA RESTA

José Mateus da Costa Silva

O povoado Alecrim, onde moro, em Nossa Senhora da Glória, Sergipe, enfrenta um problema ao qual não se está dando a devida importância: a destruição sistemática de seu bioma - a caatinga, e do remanescente da mata atlântica, que vêm cedendo o lugar à agricultura e à pecuária. O impacto financeiro desse processo, embora seja positivo à cidade e aos fazendeiros, não beneficia, totalmente, a população. No entanto, os impactos negativos sim, estes são vistos e sentidos por todos.

Aqui a terra não serve apenas à agricultura, sempre fica uma área dedicada à pecuária. No verão, o lugar do plantio transforma-se em pasto para o gado de leite ou engorda. Com o financiamento agrícola, quando a lavoura não é bem sucedida, os bancos oferecem seguros que anistiam os produtores de parte de suas dívidas. Mesmo nas dificuldades, sempre sobra alguma renda: quem não financia seus cultivos utiliza o que planta para fazer ração para os animais.

Com o aumento do manejo da agricultura, boa parte dos produtores já possui seu próprio maquinário. Cresceram assim as áreas dedicadas à plantação. Qualquer espaço vegetal que não seja reserva é derrubado. A mata nativa quase não existe mais. O que sobrou concentra-se em pequenas reservas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Em conversa com produtores, pude ouvir suas justificativas. Muitos alegam que as terras servem para lhes dar lucros. Alguns reconhecem que é importante manter uma área de preservação, mas afirmam que seus terrenos são pequenos e não é possível reflorestar, pois ficariam sem área para o plantio. Há também os que dizem possuir área preservada por medo das sanções legais, no entanto, desmatam-na sempre que precisam de madeira para utilizar nas cercas. Muitos deles têm consciência de que seus atos prejudicam o meio ambiente, mas optam pelo lucro. 

Não sou especialista no assunto, não tenho formação universitária nem sou pesquisador, no entanto, compreendo bem o que discuto, pois conheço o problema pela minha vivência. No povoado onde moro não há nenhuma reserva florestal. Na legislação vigente descobri que o código florestal prevê, em sua seção II, que deve haver áreas consolidadas em preservação permanente, porém esse código não é nenhum pouco respeitado.

Não só acho errado, mas aprendi na escola que as árvores funcionam como uma balança climática absorvendo gases poluentes, liberando oxigênio e, inclusive, atraindo chuvas. Não é uma prática inteligente a que está sendo feita, principalmente onde moramos, uma região que já sofre com secas constantes. Agindo assim, estamos contribuindo para a elevação da temperatura, que já é, por si só, alta.
Vemos todos os dias na mídia regiões no Brasil em desequilíbrio, com características climáticas alteradas. Lugares onde chove regularmente ora apresentam poucas chuvas, ora chuvas acima do normal. Da mesma forma, ocorre com a temperatura, alta ou baixa demais. A população sofre com cheias, calor ou falta d’água. Tudo tem o mesmo motivo: a destruição das matas.

Esse é um problema de solução difícil, pois depende da conscientização e da participação de todos. Temos que pensar em garantir a nossa sobrevivência e a do planeta, e não apenas no lucro e no enriquecimento. A legislação de proteção ambiental deveria ser mais bem aplicada. Ninguém pode alegar desconhecimento total da lei, pouco ou muito sabemos dos efeitos de nossas atitudes para com o meio ambiente. E isso acabará nos afetando, de uma forma ou de outra.

Neste ano, tivemos um bom inverno, mas nossa região desde 2009 sofreu com secas extensas. No ano passado, houve chuvas torrenciais que causaram graves estragos. Isso mostra o desequilíbrio ambiental e reforça a ideia de que precisamos tomar uma atitude a esse respeito, a fim de que mudemos nossa realidade e possamos garantir nossa sobrevivência.

Por fim, até o Hino Nacional exalta a natureza exuberante do país. Nosso município também era conhecido inicialmente como “Boca da Mata”. Isso reafirma a natureza como um elo nacional que deve ser respeitado e preservado. Não podemos permitir que a ganância destrua o bioma que ainda nos resta. Não devemos esquecer que somos uma unidade, não há homem sem natureza.

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sábado, 30 de agosto de 2014

Quem vende o voto não pode reclamar

Olá, amigos, segue mais um artigo de opinião produzido no Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2014. Vamos a ele:

PONTO DE VISTA

QUEM VENDE O VOTO NÃO PODE RECLAMAR


A compra de votos é algo muito comum durante o período em que se realizam as eleições. Através dela os políticos que detém maior poder econômico conseguem influenciar um grande número de eleitores, interferindo dessa forma nos resultados finais. Ou seja, acabam por ganhar as eleições de maneira não ética.

Segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe, possui cerca de 34.000 habitantes. Na última eleição, realizada em 2012, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) divulgou que neste município há aproximadamente 22.000 eleitores. É indiscutível que todas essas pessoas têm o direito de escolher seus representantes e exercer a sua liberdade democrática sem sofrer más influências. Assim, o ideal é que as eleições sejam um processo limpo e ético.

Entretanto, em todas as eleições, candidatos mal intencionados visitam as casas de famílias e oferecem dinheiro, favores e objetos, prometendo a esses cidadãos que, se forem eleitos, irão realizar melhorias nas áreas da educação, saúde e segurança. Segundo se sabe, em 2012, durante as eleições municipais aqui em Nossa Senhora da Glória, houve denúncias de compra de votos por parte de ambos os candidatos que concorreram às eleições. Essa prática, que vem se repetindo já há muitas eleições, mostra não apenas a deslealdade do candidato para com os seus opositores, mas, principalmente, para com os seus eleitores, pois cada um tenta passar à frente por meios fraudulentos.

Do outro lado da questão, as pessoas menos esclarecidas, acreditando, naquele momento, que seus problemas serão resolvidos, acabam caindo na lábia desses candidatos e acham que essa foi a melhor escolha que podiam fazer. Como consequência, tornam-se corruptas tanto quanto aqueles que lhes ofereceram as vantagens.

Sem dúvidas, a partir do momento em que o cidadão vende seu voto passa a não ter o direito de cobrar ao candidato que este cumpra suas obrigações de seu representante, quais sejam: realizar as promessas que foram feitas na campanha. Além disso, agindo dessa forma, o eleitor está trocando o bem estar de toda a comunidade em que vive pelo seu benefício próprio.  Assim, os problemas da comunidade persistem e o cidadão fica na mesma situação até as próximas eleições.

Do meu ponto de vista, se o eleitor não conhece um candidato, não está de acordo com suas propostas, ou desconfia de seu caráter, existem outras opções, até protestar votando em branco ou nulo, mas não se deve vender o voto, pois fazendo isto o eleitor estará prejudicando o seu direito de cidadão e, ao contrário do que pensa, não estará tirando proveito algum dessa situação. Sem dúvida, vivendo na sociedade em que vivemos e conhecendo as pessoas como conhecemos, todos podem ver que essa conduta não leva a nada, porque é algo que vemos acontecer de forma constante e é justamente isso que gera o caos que presenciamos na saúde, na educação e em outras áreas. Essa prática não favorece a ninguém, pois todos acabam sofrendo e arcando com as consequências.

Enfim, a sociedade, como um todo, deve melhorar, é preciso pensar na  coletividade e não apenas nas vantagens pessoais, pois a situação em que vivemos não é a ideal para ninguém. Para mudar efetivamente esse quadro, de um lado, os representantes devem agir com mais lisura, a fim de desenvolverem melhor seu papel e atenderem aos anseios dos cidadãos e do outro, os cidadãos devem também ser éticos e não venderem seu voto, para que possam cobrar de seus representantes as melhorias necessárias.

Bárbara Silva - 3º D

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Preservar é crescer

Olá, amigos, segue mais um artigo de opinião produzido no Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2014. Vamos a ele:

PONTO DE VISTA

Preservar é crescer

Moro em Nossa Senhora da Glória, interior de Sergipe, sertão. Vegetação predominante de caatinga, com pouco mais de 34 mil cidadãos. Apesar de ainda pequena, é uma cidade que chama a atenção pelo seu desenvolvimento. Destaca-se também por uma atração turística especial: sua feira livre. 

A feira de Glória é conhecida em toda a redondeza, até fora do estado, não somente por seu tamanho, sua formação e organização, mas pela sua diversidade de produtos e feirantes.

No entanto, nos últimos anos, essa feira vem perdendo notoriedade, o que é lastimável, pois além de importante economicamente, é um patrimônio cultural do município. Um dos motivos desse declínio está na rivalidade entre lojistas e feirantes, que disputam espaço e clientela. Os lojistas almejam que se concretize um projeto que julgo prejudicial à cidade: passar a haver duas feiras semanais, uma na quarta-feira e outra no sábado, como ocorre tradicionalmente. Dentre as razões apresentadas para o projeto, fica evidente a aproximação entre a administração municipal e os lojistas.

Com mais um dia de feira, os lojistas se beneficiam, pois o fluxo de pessoas por feira enfraquecerá, já que as pessoas virão em dias diferentes. O arrecadado por dia diminuirá e muitos feirantes, por necessidades econômicas e condições de trabalho, deixarão essa ocupação. Menos consumo, menos reputação, menos feirantes. Rapidamente, a feira de Glória deixará de existir. A única coisa que irá aumentar será as vendas nas lojas.

Não culpo as empresas de Glória de quererem se beneficiar com a mudança. Em um meio tão egoísta, como o comércio, isso é natural. O problema é que esse favorecimento é injusto, desonesto e prejudica a grande maioria: feirantes e turistas. Se algo é contrário à maioria, é, necessariamente, antidemocrático, logo, essa mudança ofende valores político-sociais.

Quem é a favor dela afirma que os lojistas têm uma parcela de importância bem maior na economia da cidade. Além disso, assim como os feirantes, também tiram do comércio seu sustento. Essa é uma visão superficial da questão. Tais argumentos até podem parecer válidos, no entanto, quem conhece como eu as entrelinhas da questão sabe que, na prática, não é bem assim que acontece.

Inicialmente, o lucro bruto gerado pelo comércio fica nas mãos de seus proprietários, que seguem normalmente seu estilo de vida burguês, sem nada de relevante acrescentar à cidade. Em segundo lugar, não discordo que os empresários dependem de suas empresas, no entanto, um ocasional menor lucro líquido não será motivo para que fechem suas lojas. Finalmente, mas não menos importante, os feirantes vendem seus produtos tradicionalmente apenas no sábado, enquanto os empresários têm todos os dias úteis para seus negócios.

Cabe ressaltar também que, lamentavelmente, uma feira do porte da de Glória provoca inevitáveis problemas, como um trânsito mais denso e o aumento do trabalho infantil. Existem formas de amenizar ou solucionar tais problemas e isso é dever da prefeitura, mas não cabe expor aqui. No entanto, se houver outra feira, dobrarão também os problemas gerados por elas.

Além do mais, atentemos para o lado humano da questão. As oportunidades nos centros urbanos são maiores que no rural, de onde a maioria dos feirantes vem. Como se não bastasse, esses que fazem a feira existir semanalmente uma vez têm um dia de labuta intenso, inadequado, de acordo com a lei. Trabalham a madrugada inteira e o dia seguinte, sob sol e chuva, em condições precárias de abrigo – barracas rudimentares feitas de plástico, que muito facilmente alteram sua temperatura sob influência do meio externo onde “curtem” a sexta-feira à noite, a espera do sábado. Sem esquecer o transporte que utilizam: carrocerias de caminhões. Todas essas dificuldades são enfrentadas com vigor, em busca do sustento de suas famílias, do mínimo para a sobrevivência.

Um exemplo é o de Dona Maria, 54 anos, 42 de feira. Mãe viúva de cinco filhos, sendo três menores de idade. A renda da casa vem totalmente das vendas na feira. Ao questioná-la sobre a mudança, disse-me: “sou contra a mudança. Meu trabalho já é muito cansativo uma vez por semana. Para manter o ganho, teria que vir os dois dias eu não suportaria, teria de procurar outra forma de sustento, e com essa idade seria muito difícil”.

Por fim, tanto o patrimônio cultural que representa quanto as vidas envolvidas nele seriam afetados negativamente com essa medida. Diante de tudo isso, como não ser contrário à mudança na feira de Glória? Não posso aceitar que algo assim seja feito sem manifestar o meu protesto.

Felipe Ferreira - 3º Ano E

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

PEQUENAS, PORÉM VALIOSAS

Olá, amigos, publicaremos também neste espaço alguns artigos de opinião produzidos pelos alunos do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE. Esses artigos foram elaborados por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2014. Vamos ao primeiro deles:

PONTO DE VISTA

PEQUENAS, PORÉM VALIOSAS

Moro numa pequena cidade do interior de Sergipe que tem crescido muito nos últimos anos. Nossa senhora da Glória localiza-se no alto sertão sergipano. Atualmente, a capitão do sertão, como é conhecida, possui uma população de pouco mais de 34 mil habitantes.

Com sua economia baseada na agropecuária, minha cidade conta com quatro indústrias de leite e, além disso, várias fabriquetas de base familiar espalhadas por todo seu território. Sem dúvidas, cada uma carrega um pouco da história do nosso município.

É justamente sobre essas fabriquetas que discutirei. É delas que várias famílias tiram seu sustento, mas nos últimos dias o risco de serem fechadas está tirando o sono daqueles que lutam arduamente para garantir o pão de cada dia, provavelmente por não saberem como ficarão suas famílias, caso sejam impedidos de fabricar e de vender o queijo coalho, por sinal, muito apreciado na região.

De um lado estão “os grandes”, afirmando que os produtos oriundos das fabriquetas trazem malefícios à saúde do consumidor por serem feitos sem o devido cuidado com a higiene, ou dizem que elas atrapalham as indústrias, impedindo-as de crescer como deveriam e de levar o nome do nosso município para fora do estado. Do outro lado estão “os pequenos”, que lutam por sua sobrevivência, contribuindo para que a nossa cultura sobreviva, através da preservação do modo tradicional de fabricação do queijo coalho, que vem sendo passado de geração para geração, tornando o município ainda mais conhecido justamente por esse produto lácteo.

Pessoalmente, acho que os malefícios que podem ser causados à saúde do consumidor são mínimos, já que são provenientes de bactérias vindas do modo rústico de fabricação, comparados aos produtos químicos utilizados por algumas indústrias. Sem esquecer que o crescimento das indústrias é algo indiscutível, e, consequentemente, o nome da nossa cidade cresce junto com elas. As fabriquetas não impedem esse crescimento, já que seus produtos são vendidos apenas nas redondezas dos povoados onde estão localizadas, ou na feira livre do nosso município.

Ao invés de fechá-las e de impedir que o cansado homem do campo leve alegria para sua casa, através do alimento posto em sua mesa, o governo deveria investir em palestras e cursos para ensiná-los como fazer o beneficiamento do leite da maneira correta, tomando os devidos cuidados desde o rebanho até a produção, e fazendo tudo de maneira limpa, higiênica, tanto das pessoas que trabalham quanto do local onde são fabricados os queijos, assim como dos utensílios utilizados nessa fabricação.

Incentivar o funcionamento das fabriquetas é cultivar a nossa cultura, uma vez que a produção é toda de maneira artesanal, a mão de obra é de base familiar, e o modo de fabricação é passado de pai para filho.

Sou totalmente a favor do funcionamento das fabriquetas e incentivo a produção do nosso queijo coalho, que representa a marca da nossa cidade. Estimulá-las é resgatar e preservar a nossa cultura local.

Essas fabriquetas, sem dúvidas, fazem sobreviver em nosso município os agricultores familiares, através da comercialização desses produtos. Seus consumidores pertencem às mais variadas classes sociais. Observa-se que muitos deles, ao provarem o nosso queijo coalho, fazem reviver velhas lembranças, por exemplo, de seus avós, e isso estabelece traços de uma identidade cultural.

É notório que essas fabriquetas detêm um grande valor social, cultural e econômico. Enfim, é preciso preservá-las, e à nossa cultura, apoiando seu funcionamento, já que vivemos em um mundo cada vez mais tecnológico, que tem deixado de lado aquilo que aprendemos com nossos avós.

Álvaro Sousa - 3º Ano F


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