segunda-feira, 4 de junho de 2012

SERGIPE PRECISA DE UMA UNIVERSIDADE ESTADUAL?








*Prof. Rivaldo Sávio de Jesus Lima
 
Recentemente a UFS festejou seus 44 anos de sua existência, vivenciada pela comunidade acadêmica com muita emoção. Tal data me fez lembrar das suas lutas, dificuldades e vitórias, estruturando assim, a sua trajetória que é parte importante da história do povo sergipano. Mas ao refletirmos sobre essa valorosa instituição educacional superior inevitavelmente lembramos que se trata da única universidade pública Sergipana. Aliás, vale ressaltar, que Sergipe é o único Estado nordestino (e um dos poucos no Brasil) que não tem uma universidade pública estadual.  

Sabemos que o Governo (da gestão Lula para cá) vem implementando uma política de expansão das universidades federais, tanto através do REUNI, que ampliou quase que instanteneamente suas vagas (inclusive através das cotas sociais e raciais) e do PROUNI, projeto no qual o Governo Federal “compra” vagas em universidades particulares para colocar alunos carentes, que mais tarde pagarão os seus estudos. Em outras palavras, investe-se muito dinheiro em instituições não públicas. Dessa feita, a UFS e outras federais, sob os auspícios da política expansionista do Governo Lula ampliou sua atuação em Sergipe, abrindo novos campi nas cidades de Itabaiana, Laranjeiras e recentemente em Lagarto.

É claro, que em sã consciência ninguém é contra ao crescimento da UFS, porém, reflete-se sobre como tal crescimento se estabeleceu, ou seja, sem um planejamento melhor estruturado e pautado nas reais necessidades dos membros da instituição e da sociedade sergipana. Tanto estudiosos da educação, como os da administração pública apontam que os gestores federais não dimensionaram corretamente as prioritárias necessidades da universidade como um todo. Por exemplo, não houve uma contratação mais ampla de professores e técnicos administrativos em número suficiente para atender a massa atual de cerca de mais de 20 mil alunos da UFS, além de outras demandas materiais fundamentais para o bom funcionamento da instituição e, evidentemente para uma melhor qualidade no ensino, pesquisa e extensão.

Diante desse quadro, nos questionamos mais uma vez do por que não buscarmos em Sergipe uma nova vertente para a ampliação do ensino superior público, gratuito e de qualidade? Uma nova universidade de caráter estadual, implantada em algum município promissor do interior do Estado e que pudesse desenvolver a produção de conhecimento voltando-se para um perfil transformador do aluno e da sociedade, e que trabalharia de forma criativa em algumas áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento sócioeconômico do Estado. Tal universidade, que poderia ser denominada UESE (Universidade do Estado de Sergipe) abriria outra frente de vagas para a educação superior, buscaria parcerias e fomentos com a UFS, com o MEC (CAPES), com o próprio Estado, com outros Estados da União, e também com a iniciativa privada para ampliar a ação governamental e o desenvolvimento do nosso Estado.

Aliás, vale lembrar, por ser Sergipe um dos menores Estados do Brasil, repleto de riquezas no seu território e no seu litoral, deveria (em termos de gestão pública) ser um Estado modelo de qualidade de vida, especialmente no âmbito da educação.  

A UFS poderia colaborar diretamente na criação da UESE, não colocaria para tanto nenhum centavo de suas verbas na criação da nova universidade. Ao contrário, seria á Universidade Federal quem primeiro “lucraria” com a criação dessa nova instituição voltada para o saber e o conhecimento, na medida em que pode hoje formar os futuros quadros de docentes e técnicos administrativos desta nova instituição de ensino. Á UFS, nessa parceria, caberia ainda planejar todo processo administrativo e pedagógico da nova universidade, dentro de uma filosofia inclusiva em termos sócio-culturais.

Com isso, o Governo do Estado entraria para a história e assim, poderia de fato se vangloriar com suas propagandas bem elaboradas, pois teria uma proposta realmente sua de interiorização de medidas sócioeducacionais e produtivas, pois geraria riquezas e bem estar para nossa população mais carente. 

* Professor Doutor em Psicologia da Educação da UFS, membro do Conselho de Ensino e Pesquisa (CONEPE) da UFS e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Administração Pública – NEIAP da UFS. 

2 comentários:

  1. Lembro mim que quando João Alves estava governador pela 3ª vez o deputado Federal Pastor Heleno cobrava frequentemente do governo do estado na Radio Xingo FM de Canindé a criação de uma universidade estadual , resultado o partido de pastor Heleno chegou ao poder a mais de 5 anos ele esqueceu o assunto.

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    1. Pedro,

      É lamentável, mas o perfil dos políticos que temos é sempre esse. Quando são oposição, apontam e apóiam as medidas necessárias ao benefício da população. Quando chegam à situação, esquecem suas promessas e se empenham apenas em permanecer no poder. Na política sergipana parece que não há projetos, nem de curto nem de longo prazo, apenas busca e manutenção de privilégios.

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