terça-feira, 11 de agosto de 2009

POR UMA EFETIVA GESTÃO DEMOCRÁTICA

Autor: Jorge Henrique Vieira Santos

Quando se fala em gestão democrática, no âmbito dos espaços escolares, é comum que surja na mente de muitos, envolvidos com a rotina de sala de aula, o vislumbre de um processo igualitário a partir do qual seja possível a escolha de diretores e vice-diretores, através do voto dos membros da comunidade escolar. Muitos acreditam que no dia em que for possível escolher, pelo voto, os gestores das escolas, a maioria de seus problemas terá solução, senão imediata, ao menos em curto espaço de tempo. Contudo, é importante atentar para o fato de que a escolha de diretores representa a etapa final de um longo processo de consciência coletiva, de amadurecimento de idéias e de conquista de autonomia por parte da comunidade escolar.


Na verdade, o processo começa lá atrás, quando todos os que fazem parte da escola e de seu entorno se decidem pela elaboração de uma proposta pedagógica condizente com a realidade de seus educandos, com as perspectivas pedagógicas de seu corpo de docentes e com as expectativas de familiares e da sociedade, em cujo coração está inserida esta escola.

Ao longo desse processo, algumas atitudes devem ser desenvolvidas pelos atores dessa proposta, quais sejam a de incentivo ao desenvolvimento do trabalho colaborativo, a da prática da auto-avaliação, a de planejamento diário das atividades, a de análises grupais e criteriosas de dados reveladores das características da escola e de seus membros. Tudo isso contribui para o amadurecimento dos membros da comunidade escolar, principalmente, professores e alunos, no sentido de que, ao tomarem em suas mãos as rédeas do destino da escola, assumem a responsabilidade pelos sucessos e fracassos decorrentes do processo. E essa responsabilidade é bastante salutar, uma vez que torna comum a todos tanto os frutos positivos quanto as dificuldades que devem ser enfrentadas diariamente no ambiente escolar.

Quando a escola traça seus rumos, quando se auto-orienta, quando define suas metas e resultados a serem alcançados, está ao mesmo tempo se transformando num organismo adulto, capaz de compreender o espaço em que está inserido e de atuar de maneira significativa na modificação da realidade a sua volta. Esse, entretanto, não é um estágio de amadurecimento que se constrói da noite para o dia, num piscar de olhos, bastando para isso apenas a simples vontade de todos, é bom que se frise.

A construção da escola ideal é um processo, e como tal, não encontra momento em que se diga: “está pronto!”, pois sempre há o que se possa melhorar. Quando a escola, entretanto, já se encontra nesse estágio de amadurecimento, pode ser capaz de escolher por voto de seus membros aquele que deverá conduzir sua organização. Aquele que, tendo uma proposta administrativa em perfeita consonância com as propostas e perspectivas da escola, possa submeter ao crivo daqueles que a compõem seu nome e seu projeto, a fim de receber o aval para que possa conduzir a escola aos seus objetivos pré-definidos. Não se devem queimar etapas, sob pena de se criarem novos problemas decorrentes do desgoverno de uma administração despreparada e sem rumos, à frente de um organismo escolar, cujas características e objetivos não são claros nem para os que a compõem nem para a comunidade em que se encontra.

2 comentários:

  1. Oi colega!Acabei de ler este artigo. Muito bom. Estamos em processo de escolha dos diretores( gestores) das escolas públicas aqui do RS. As eleições serão dia 28/10. Teu texto ajudou na reflexão

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  2. Olá, minha querida, fico muito feliz em poder contribuir de alguma forma para o processo de gestão democrática de sua escola.

    Um forte abraço.

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