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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Privatizar a DESO Vale a Pena?

Olá, amigos, segue mais um artigo de opinião produzido por aluno do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2016. Vamos ao artigo:

Privatizar a DESO Vale a Pena?


Moro em uma cidade de Sergipe chamada Nossa Senhora da Glória, mais conhecida como a Capital do Sertão, com pouco mais de 35 mil habitantes. Mesmo sendo situada em uma área com baixa pluviosidade, sua maior economia é derivada do campo, que faz o comércio crescer, gerando o desenvolvimento da cidade e da região.

A população do nosso município e, principalmente, do setor rural que,em sua maioria é de baixa renda, tem a necessidade de abastecimento de água. A companhia de saneamento de Sergipe (DESO) é quem faz esse abastecimento, assim renovando, a cada dia, a esperança do povo do sertão.

Porém essa esperança está próxima do fim devido a uma proposta do atual governador de Sergipe de federalizar a DESO e, posteriormente, privatizá-la em troca de uma dívida do Estado com o Governo Federal. A proposta foi encaminhada para a Assembleia Legislativa de Sergipe, motivada pelo projeto de Lei complementar (PLC) 257/2016, que tramita no Congresso Nacional, segundo o qual a união fica autorizada de transferir bens, direitos e participações acionárias em sociedades empresariais controladas por estados. Minha preocupação não é a federalização em si, mas sim, o que ela vai ocasionar depois.Existe a denúncia da provável privatização de um bem público. Sem dúvida, essa não é a melhor saída para o estado, nem para a DESO.

Nesse sentido, os que são contrários à proposta alegam a perda de direito, tanto para os servidores que ficarão desempregados, como também para as famílias atingidas, que relatam o possível aumento da tarifa e a não assistênciaem lugares remotos.

Os que são a favor relatam que a companhia não vem prestando seu papel de forma satisfatória. Como exemplos disso, temos a falta de água frequente e a coloração da água que chega às torneiras. Épossível que a privatização melhore bastante a qualidade do serviço, pois quando a Companhia de Energia de Sergipe (a antiga ENERGIPE, atual ENERGISA) foi privatizada, isso aconteceu.

Os trabalhadores da DESO, mesmo sendo contra a federalização e confirmando a denúncia de privatização, não negam a existência de um sucateamento cada vez mais frequente. Primeiro, porque há escassez de material para ser realizada uma simples ligação de água. Além disso, muitas vezes não conseguem desempenhar o trabalho com eficiência, porque também às vezes faltam equipamentos de proteção individual (EPI).

A princípio, fiquei feliz com a notícia da federalização, pois, finalmente, a DESO teria seus problemas resolvidos, bem como a situação de seus servidores. Mas, infelizmente, após saber o real motivo, não creio que esse processo seja viável ou benéfico para o estado de Sergipe.

Primeiramente, a DESO é uma empresa mista, com 99% do capital nas mãos do estado de Sergipe,logo, é uma empresa pública que tem o papel de manter a divisão dos recursos para o povo, para os trabalhadores. Então, a partir do momento que privatiza, retrocede o processo histórico que vem de conquistas para a sociedade brasileira em geral.

Em segundo lugar, como a água é um líquido precioso e insubstituível e como só temos 2% de água doce no planeta, existe interesse de as grandes empresas se apossarem desse monopólio para usufruir da comercialização. De acordo com a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), água e saneamento fazem parte dos direitos fundamentais do homem. Só isso justificaria a não venda desse setor.
Além disso, o presidente do sindicato dos trabalhadores de água e esgoto de Sergipe (Sindisan), José Sérgio Passos, chamou a atenção da sociedade para a tarifa social da DESO, que atualmente é de R$ 27,50. Segundo estudos realizados, uma família composta por quatro pessoas que consegue viver com 10m3 de água por mês paga apenas o preço de tarifa. Entretanto, se a empresa for privatizada, essa tarifa com certeza terá um acréscimo grande. Percebemos como sofremos com a tarifa de energia elétrica, depois que a Energisa foi privatizada.

Ademais, quando se privatiza o setor elétrico e o setor de saneamento, é como se os rios também fossem destinados ao uso privado, e são riquezas muito mais valiosas que qualquer outra riqueza em cofres. É indiscutível que sua devida exploração deve sempre ter contrapartida destinada ao povo, logo, deve ficar nas mãos do Estado.

Assim, a manutenção da DESO como patrimônio público é contribuição direta para o crescimento econômico e social do estado de Sergipe, principalmente para as regiões mais desfavorecidas.

Em resumo, diante das circunstâncias difíceis que estamos vivendo, políticas e financeiras, com certeza a Assembleia Legislativa de Sergipe tem que analisar esse projeto, inclusive com a presença do próprio governador numa comissão especial, para que não venhamos a tomar nenhuma medida precipitada que amanhã se torne um grande problema contra o nosso estado.
Renisson Nascimento - 3º D

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Nós temos opinião

Olá, amigos, vamos publicar aqui alguns artigos de opinião produzidos por alunos do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2016. Vamos ao primeiro deles:

PELOS DIREITOS DAS NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES


Minha cidade, Nossa Senhora da Glória, localizada na Região Noroeste do estado de Sergipe, possui uma população estimada de 35.000 habitantes e sua economia, atualmente, gira em torno da pecuária, da agricultura, de pequenas indústrias e do comércio, do qual faz parte a feira livre, que é a mais importante da região. E é nesse cenário que crianças e adolescentes são vistos, frequentemente, trabalhando, o que gera polêmica entre os cidadãos glorienses. Há os que são a favor, que acham isso natural, e os que são contra, que defendem os direitos desses jovens. 

Como moradora da cidade, posso afirmar que é extremamente comum chegar ao centro do comércio e se deparar com várias crianças e adolescentes, das mais diversas idades, trabalhando com carrinhos de mão, ou guiando carroças de burro lotadas de produtos em troca de ganhar alguns trocados. Os clientes que utilizam esses serviços acham, de forma errônea, que usufruindo deles estão contribuindo de forma positiva para essas crianças. Outros jovens são vistos trabalhando em bancas de feira e alguns andam pela cidade empurrando carrinhos, vendendo picolé. É importante ressaltar que essa é a parte mais visível do trabalho infantil, mas há também vários deles que fazem trabalhos domésticos, ou nas lavouras, na lida com gado, entre outros serviços, e que acabam ficando menos visíveis, mas sabemos que existem. Há dados de pesquisas que revelam que “Glória”, como é mais conhecida, está entre as cidades com maiores índices de trabalho infantil do estado. 

Para as pessoas que são a favor e não veem nenhum problema nesse tipo de trabalho, é melhor que eles estejam trabalhando do que na rua fazendo coisas erradas, além do fato de alguns ajudarem nas despesas da família com o lucro que obtém e porque muitos dizem trabalhar por opção. 

Porém, mesmo trabalhando, isso não muda o fato de estarem nas ruas, portanto não há garantia alguma de que não vão se envolver com coisas erradas, de que não vão conviver com más companhias, e de que não possam ser corrompidos de alguma forma. Quanto aos que ajudam no sustento da família, é claro que não podemos culpar os pais por, muitas vezes, não conseguirem uma renda suficiente, mas também não se pode jogar esse tipo de responsabilidade para jovens que estão apenas começando a vida, e cuja única preocupação deveria ser com os estudos. Sobre os que dizem que trabalham porque querem, em minha opinião, afirmam isso porque não têm outras oportunidades, outras ocupações, e porque muitos não se sentem atraídos pela escola, pela forma com que o ensino é aplicado. 

Por isso, assim como muitas outros glorienses, sou contra esse tipo de trabalho, pois essas crianças e adolescentes é que estão sendo prejudicados tanto no presente, quanto futuramente. Desde sempre perdem os direitos, direito à saúde, ao lazer, à educação, à cultura, à dignidade, ao respeito, ou seja, direito de ser criança, de ser adolescente. 

Sem dúvidas, podemos constatar que esses jovens que deixam de estudar, ou não têm um bom rendimento escolar em função do trabalho, quando chegam à fase adulta e, aí sim, precisam trabalhar, encontram dificuldades, justamente por não terem uma boa escolaridade. 

Outro fato é que, assim como diz a médica pediátrica do Hospital de Urgência de Sergipe, HUSE, Edda Machado, em suas palestras sobre o enfrentamento do trabalho infantil, o aspecto psíquico desses jovens pode ser muito afetado e ainda mais o aspecto física, pois como estão na fase mais importante de desenvolvimento corporal e começam a trabalhar de forma inadequada, pegando pesos exagerados, incondizentes com o que suportam, provavelmente, já terão problemas de saúde e poderão ter comprometimentos que irão atrapalhá-los na fase adulta. 

Além do mais, segundo a constituição vigente no país, a idade mínima para trabalhar é de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, que vai de 14 a 16 anos, mas, com carga horária menor estipulada, com supervisão e desde que não atrapalhe os estudos. Há ainda restrições para trabalhos que prejudicam a saúde para os menores de 18 anos. Bem diferente do que é visto: jovens de todas as idades, em todos os tipos de trabalhos, com hora certa para começar a trabalhar, mas sem hora certa para terminar. 

Recentemente, assisti a uma reportagem sobre crianças e adolescentes da nossa região que participam de projetos sociais, justamente voltados para erradicação do trabalho infantil e inclusão do jovem na sociedade de forma digna. Realmente, não podemos negar que algumas políticas públicas estão sendo realizadas com essa intenção, porém parece haver grandes dificuldades, pois não há o resultado esperado e ainda vemos o trabalho infantil com muita frequência. 

Certamente, não são as políticas públicas que devam ser mudadas, e sim a forma como são executadas. É preciso que haja uma maior tentativa de conscientização da população, uma maior visibilidade dessas ações e mais informações a respeito, tais como: para quem são voltadas e, principalmente, como funcionam. É necessário que esses ambientes tenham boas estruturas e que ofereçam boas condições de trabalho, para que os jovens sejam atendidos da melhor forma possível. As atividades realizadas devem ser atrativas, isso vale não só para os projetos, mas também para as escolas, a fim de que eles sintam interesse em participar e aprender. E é muito importante dar apoio não somente aos jovens, mas também às famílias, já que muitos estão nessas condições por falta de estrutura familiar. 

Enfim, diante de tudo isso, reafirmo ser contra o fato de esses jovens trabalharem, é preciso que seus direitos sejam respeitados, para que cresçam e se tornem adultos bem estruturados e que também respeitam os direitos das próximas gerações.

Maria Amanda Pedral dos Santos - 2º D

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terça-feira, 28 de julho de 2015

DISCUTINDO OS PROBLEMAS DA ESCOLA








Dessa vez, o ponto de partida para a reflexão multidisciplinar promovida pelo projeto Cine Cult Manoel foi a realidade das escolas brasileiras. Na noite dessa segunda-feira, 27, os professores Janderson Paixão, Luciano Oliveira e Cristina Oliveira, que ministram, respectivamente, as disciplinas Educação Física, Geografia e Língua Espanhola no Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa (CEMMF), em Nossa Senhora da Glória - SE, conduziram com habilidade um debate com os alunos de todas as turmas do turno noturno sobre os problemas enfrentados pelas escolas no Brasil.
A discussão, que mais uma vez contou com a participação efetiva e pertinente de diversos alunos, teve como estopim o documentário Pro Dia Nascer Feliz, do premiado diretor João Jardim, o mesmo que estreou em 2002 com “Janela da alma” e co-dirigiu “Lixo extraordinário”, com o qual foi indicado ao Oscar em 2011.
Em Pro Dia Nascer Feliz João faz um retrato da educação brasileira, ou melhor, uma radiografia, que revela o colapso do nosso sistema educacional e os sérios problemas que as escolas públicas enfrentam. A partir de depoimentos de alunos, pais e professores em três cidades brasileiras – Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo – o documentário faz um panorama da desigualdade por meio do contraste entre escolas desestruturadas com professores desmotivados e escolas com estruturas modernas e melhores condições de trabalho. João Jardim esboça assim um perfil dos jovens de 13 a 17 anos, com seus sonhos e frustrações, diante de uma realidade social que, para uns, limita completamente, enquanto para outros expande horizontes e possibilidades. Pro Dia Nascer Feliz evidencia como a desigualdade social, a pobreza e a violência, quando aliadas à má administração dos recursos públicos destinados à escola, podem destruir as expectativas de inúmeros estudantes brasileiros.
A partir do documentário, os alunos expuseram os problemas enfrentados por eles no Colégio Manoel Messias Feitosa e se identificaram com a realidade do filme a que assistiram. Um deles ressaltou o problema do transporte escolar, que, muitas vezes, é o que motiva a ausência de alunos residentes na zona rural; enfatizou ainda a precariedade da estrutura da escola, cuja reforma inacabada vem se arrastando há vários anos, falou até do desinteresse dos próprios alunos e das faltas de alguns professores.
O clima de reflexão permitiu aos professores a abordagem de alguns temas transversais relevantes como a segregação, discutida pelo professor Luciano Oliveira, a motivação, ressaltada pela professora Cristina Oliveira, e a importância de se realizarem atividades diferenciadas na escola, discutida pelo Professor Janderson Paixão. A propósito disso, tomei a palavra para chamar a atenção para a importância das práticas de letramento literário e de atividades culturais que possibilitem novos olhares e despertem o senso crítico dos alunos, abrindo outras perspectivas para sua realidade.
Finalmente, para encerrar as atividades da noite, em clima de Enem, os professores solicitaram que os alunos produzissem uma dissertação sobre os problemas da realidade educacional brasileira, ressaltados no documentário, e apontassem possibilidades de solução.
O projeto Cine Cult Manoel, que propõe o uso do cinema como recurso pedagógico para uma abordagem mais ampla dos temas transversais, vem mostrando resultados positivos e  está se revelando uma boa alternativa para potencializar as possibilidades de aprendizagem, reflexão, lazer e enriquecimento cultural do nosso aluno.

Jorge Henrique Vieira Santos

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sexta-feira, 15 de maio de 2015

DISCUTINDO RACISMO, ÉTICA E LIBERDADE


Dando continuidade à exitosa experiência multidisciplinar do projeto Cine Cult Manoel, na noite dessa sexta-feira, 15, os professores Wagner Cruz, Fabrízio Varjão e Darciane Andrade, que ministram, respectivamente, as disciplinas Sociologia, Filosofia e Língua Portuguesa no Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa (CEMMF), em Nossa Senhora da Glória - SE, conduziram com competência e propriedade uma profícua discussão acerca de racismo, identidade/alteridade, ética e liberdade com os alunos de todas as turmas do turno noturno da referida escola.

O debate, que contou com a participação efetiva e pertinente de diversos alunos, foi desencadeado após todos assistirem ao filme 12 Anos de Escravidão, do diretor Steve McQueen. Esse longa, que na 86ª edição do Oscar, em 2014, recebeu os prêmios de melhor filme, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro adaptado, baseia-se no drama real vivido por Solomon Northup, um cavalheiro negro livre e letrado de Nova Iorque que foi sequestrado e vendido como escravo em 1841, anos antes da abolição da escravidão nos EUA.

O filme permitiu aos professores uma abordagem dinâmica e abrangente de temas transversais relevantes como o etnocentrismo, discutido pelo professor Wagner Cruz, que enfatizou para os alunos a necessidade de nos colocarmos no lugar do outro, a fim de que possamos combater essa tendência humana de menosprezar sociedades ou povos de cultura ou aspecto diverso do nosso. O professor destacou ainda que posturas de intolerância à diversidade foram responsáveis pelos grandes crimes que a humanidade cometeu, a exemplo da escravidão do povo negro e do Holocausto. Contribuindo para a discussão, alguns alunos, em seus depoimentos, ratificaram que convivem diariamente com manifestações de intolerância na escola e na sociedade e que o filme, a partir de suas cenas impactantes, provoca uma reflexão necessária sobre o modo como agimos e o modo com devemos agir em relação ao outro.

Dando continuidade ao debate e lançando o olhar sobre a questão da ética, o professor Fabrízio Varjão abordou a moral que justificava a escravidão, enfatizando uma fala do personagem Bass (vivido por Brad Pitt), um construtor canadense de ideais abolicionistas que, vindo trabalhar na fazenda em que Solomon vivia como escravo termina por auxiliá-lo a escapar. Esse personagem questiona as bases do direito que os indivíduos de cor branca tinham sobre a vida dos que lhes eram diferentes e chama a atenção para valores que são universais, como a igualdade entre os seres. O professor Fabrízio ainda discutiu com os alunos a questão da liberdade na sociedade capitalista moderna, em que a ação do indivíduo está condicionada ao seu status e sua capacidade de ser efetivamente livre é cerceada por essa contingência.

Finalmente, fazendo um paralelo entre a época em que a história do filme aconteceu e a produção literária engajada do Romantismo da 3ª Geração, a professora Darciane Andrade discorreu sobre a obra do poeta Castro Alves e sobre o Condoreirismo. Declamou ainda para os alunos um dos poemas abolicionistas desse grande poeta, fechando de forma brilhante mais uma edição do projeto Cine Cult Manoel.

Esse projeto, que propõe o uso do cinema como recurso pedagógico para uma abordagem mais ampla dos temas transversais, vem mostrando resultados positivos. Ainda estamos na segunda edição, mas, a julgar pela forma entusiasmada como vem sendo desenvolvido pelos professores e acolhido pelos alunos, está se revelando uma boa alternativa para potencializar as possibilidades de aprendizagem, reflexão, lazer e enriquecimento cultural do aluno e tornar o período noturno mais atraente, contribuindo para reduzir a evasão escolar característica desse turno.

Jorge Henrique Vieira Santos

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sábado, 28 de março de 2015

CINEMA NA ESCOLA - OUTRAS FORMAS DE ENSINAR

Na noite desta sexta-feira, 27, no Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa (CEMMF), em Nossa Senhora da Glória - SE, foi realizada com sucesso uma aula diferente. Os alunos de todas as turmas do turno noturno (1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio) foram reunidos no pátio da escola para assistirem a uma aula ministrada, concomitantemente, por três professores de áreas distintas: José Adeilson, Matheus Ribeiro e Jorge Henrique, que ministram, respectivamente, as disciplinas História, Geografia e Língua Portuguesa. Foi a primeira experiência multidisciplinar do projeto “Cine Cult Manoel”.

Este projeto propõe o uso do cinema como recurso pedagógico para uma abordagem mais ampla dos temas transversais, de forma a potencializar as possibilidades de aprendizagem, reflexão, lazer e enriquecimento cultural do aluno. Além disso, visa atuar como alternativa para tornar o período noturno mais atraente, contribuindo assim para a redução da evasão escolar característica desse turno.

Nesta primeira experiência, os alunos assistiram ao filme “Escritores da Liberdade”, um drama de 123 minutos baseado no livro publicado em 1999, nos EUA, escrito a partir dos diários de classe dos alunos da classe 203 do Programa de Integração do Colégio Woodrow Wilson, em Long Beach, Califórnia.

O filme permitiu aos professores a abordagem dinâmica e abrangente de várias questões transversais, tais como: o preconceito racial, a intolerância, a injustiça social, a desmotivação e a falta de respeito ao próximo. Cada professor contribuiu para a discussão do filme a partir do horizonte teórico de sua disciplina. Professor Adeilson Santos abordou o segregacionismo e a intolerância a partir do evento do Holocausto evocado no enredo da trama por uma prática de bullying em sala de aula. Professor Matheus Ribeiro discutiu conceitos de território, espaço, relações de poder e identidade, a partir do cenário de conflitos entre as gangues rivais de alunos e a partir do método pedagógico desenvolvido pela professora Erin Gruwell, que é interpretada pela atriz Hillary Swank. Por fim, o professor Jorge Henrique discutiu o papel pedagógico da Literatura como ferramenta libertadora, propiciadora da construção de novos saberes, de novas perspectivas de mundo e da própria reconfiguração da identidade do sujeito.

Os alunos e outros professores se sentiram motivados a participar da discussão ativamente. Muitos apresentaram suas observações acerca de aspectos do filme que lhes despertaram o interesse e enriqueceram o debate. A noite se tornou curta para tantas intervenções. As discussões, no entanto, não se encerraram nesta sexta-feira, cada professor envolvido desenvolverá com seus alunos atividades nas próximas aulas, a fim de consolidar os conhecimentos associados a cada área de atuação.

O projeto, que iniciou de forma positiva, realizará uma sessão de cinema como esta, envolvendo professores de diversas disciplinas, na última semana de cada mês até o final do ano letivo. Até lá, o projeto deverá ser motivo de reflexão, debate e avaliação nos encontros pedagógicos, a fim de que se possa identificar-lhe as falhas e a eficácia ou não de seus resultados, de modo que possa ser reformulado e mantido permanentemente como atividade pedagógica da escola.


Jorge Henrique Vieira Santos 

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

José Mateus da Costa Silva, um vitorioso!

Os glorienses festejam o resultado obtido pelo aluno José Mateus da Costa Silva na Etapa Estadual da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro".  Nosso querido Mateus, orientado pelo professor Jorge Henrique Vieira Santos, teve seu artigo de opinião selecionado para participar da Etapa Regional da Olimpíada. Mas o que isso significa mesmo? Vamos entender?
Essa 4ª edição da Olimpíada bateu um novo recorde no número de inscrições: foram 170.267 turmas de estudantes de 46.902 escolas em todos os Estados brasileiros. Essas turmas realizaram oficinas orientadas por mais de 100 mil professores inscritos. Todos os Estados e 90% dos municípios brasileiros aderiram oficialmente à Olimpíada. 
Em Sergipe, foram 1.595 inscrições realizadas nas quatro categorias (Poesia, Memórias, Crônicas e Artigo de Opinião). 881 professores de 485 escolas participantes empenharam-se em realizar as oficinas com seus alunos. 
Em meio a tantos inscritos, depois de ter passado pelo crivo de três Comissões Julgadoras (a Escolar, a Municipal e a Estadual), o artigo de opinião do aluno José Mateus foi selecionado como um dos 125 artigos semifinalistas de todo o país, feito que já lhe rendeu a medalha de bronze
Por essa conquista, o aluno do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa participará, juntamente com seu professor, Jorge Henrique, da Etapa Regional da Olimpíada, que acontecerá em Brasília/DF, nos dias 17, 18 e 19 de novembro. A etapa reunirá os 125 professores e 125 alunos semifinalistas de todo o Brasil na categoria Artigo de Opinião para uma troca de experiências. Lá Mateus reescreverá seu artigo com o apoio de seu professor, a fim de aprimorá-lo e submetê-lo à Comissão Regional da Olimpíada. Caso seja selecionado, estará entre os 38 finalistas de sua categoria e disputará a medalha de ouro. 
Medalhas à parte, independente dos próximos resultados, Mateus já é um vitorioso, pois, juntamente com seus colegas de turma, desenvolveu habilidades linguísticas e discursivas fundamentais para manifestar um posicionamento crítico diante de questões polêmicas que envolvem a vida de sua comunidade. As oficinas da Olimpíada, mais do que estimular a competição, realizam uma revolução metodológica nas salas de aula de todo o país e promovem uma formação continuada para os professores inscritos. Trata-se de uma metodologia eficaz que produz ótimos resultados. A prova disso é o artigo produzido por nosso Mateus. Vamos a ele:

QUE A GANÂNCIA NÃO DESTRUA O VERDE QUE AINDA RESTA

José Mateus da Costa Silva

O povoado Alecrim, onde moro, em Nossa Senhora da Glória, Sergipe, enfrenta um problema ao qual não se está dando a devida importância: a destruição sistemática de seu bioma - a caatinga, e do remanescente da mata atlântica, que vêm cedendo o lugar à agricultura e à pecuária. O impacto financeiro desse processo, embora seja positivo à cidade e aos fazendeiros, não beneficia, totalmente, a população. No entanto, os impactos negativos sim, estes são vistos e sentidos por todos.

Aqui a terra não serve apenas à agricultura, sempre fica uma área dedicada à pecuária. No verão, o lugar do plantio transforma-se em pasto para o gado de leite ou engorda. Com o financiamento agrícola, quando a lavoura não é bem sucedida, os bancos oferecem seguros que anistiam os produtores de parte de suas dívidas. Mesmo nas dificuldades, sempre sobra alguma renda: quem não financia seus cultivos utiliza o que planta para fazer ração para os animais.

Com o aumento do manejo da agricultura, boa parte dos produtores já possui seu próprio maquinário. Cresceram assim as áreas dedicadas à plantação. Qualquer espaço vegetal que não seja reserva é derrubado. A mata nativa quase não existe mais. O que sobrou concentra-se em pequenas reservas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Em conversa com produtores, pude ouvir suas justificativas. Muitos alegam que as terras servem para lhes dar lucros. Alguns reconhecem que é importante manter uma área de preservação, mas afirmam que seus terrenos são pequenos e não é possível reflorestar, pois ficariam sem área para o plantio. Há também os que dizem possuir área preservada por medo das sanções legais, no entanto, desmatam-na sempre que precisam de madeira para utilizar nas cercas. Muitos deles têm consciência de que seus atos prejudicam o meio ambiente, mas optam pelo lucro. 

Não sou especialista no assunto, não tenho formação universitária nem sou pesquisador, no entanto, compreendo bem o que discuto, pois conheço o problema pela minha vivência. No povoado onde moro não há nenhuma reserva florestal. Na legislação vigente descobri que o código florestal prevê, em sua seção II, que deve haver áreas consolidadas em preservação permanente, porém esse código não é nenhum pouco respeitado.

Não só acho errado, mas aprendi na escola que as árvores funcionam como uma balança climática absorvendo gases poluentes, liberando oxigênio e, inclusive, atraindo chuvas. Não é uma prática inteligente a que está sendo feita, principalmente onde moramos, uma região que já sofre com secas constantes. Agindo assim, estamos contribuindo para a elevação da temperatura, que já é, por si só, alta.
Vemos todos os dias na mídia regiões no Brasil em desequilíbrio, com características climáticas alteradas. Lugares onde chove regularmente ora apresentam poucas chuvas, ora chuvas acima do normal. Da mesma forma, ocorre com a temperatura, alta ou baixa demais. A população sofre com cheias, calor ou falta d’água. Tudo tem o mesmo motivo: a destruição das matas.

Esse é um problema de solução difícil, pois depende da conscientização e da participação de todos. Temos que pensar em garantir a nossa sobrevivência e a do planeta, e não apenas no lucro e no enriquecimento. A legislação de proteção ambiental deveria ser mais bem aplicada. Ninguém pode alegar desconhecimento total da lei, pouco ou muito sabemos dos efeitos de nossas atitudes para com o meio ambiente. E isso acabará nos afetando, de uma forma ou de outra.

Neste ano, tivemos um bom inverno, mas nossa região desde 2009 sofreu com secas extensas. No ano passado, houve chuvas torrenciais que causaram graves estragos. Isso mostra o desequilíbrio ambiental e reforça a ideia de que precisamos tomar uma atitude a esse respeito, a fim de que mudemos nossa realidade e possamos garantir nossa sobrevivência.

Por fim, até o Hino Nacional exalta a natureza exuberante do país. Nosso município também era conhecido inicialmente como “Boca da Mata”. Isso reafirma a natureza como um elo nacional que deve ser respeitado e preservado. Não podemos permitir que a ganância destrua o bioma que ainda nos resta. Não devemos esquecer que somos uma unidade, não há homem sem natureza.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O cemitério do bairro ou o bairro do cemitério

Olá, amigos, em primeira mão, segue a belíssima crônica produzida no Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2014. Esta crônica, fruto do talento de Leonardo Breno e do trabalho competente de sua professora Carmem Almeida, foi selecionado pela comissão municipal e participou da etapa estadual da olimpíada. Vamos a ela:

O cemitério do bairro ou o bairro do cemitério

No intermédio daquela mureta, alva como a neve, o portão sucateado e as árvores mágicas contrastavam os seus tons vermelho sangue com a cor opaca daquela sepultura, sem vida, a não ser pela presença de insetos por ali.

Lembro, e muito bem lembrado, o espanto e a curiosidade do  povo que se sentia delegado por um dia quando por ali passou o sepultamento do temido pistoleiro que tinha traçado em suas mãos seu destino pós morte. Será que alcançou redenção? E o da beata daquela igrejinha que sonhava abraçar seu Mestre e nem imaginava que a eternidade seria apenas o começo.

O cemitério olhava em silêncio as pessoas que ali passavam. Às crianças ele gerava medo dos fantasmas que imaginavam haver naquele lugar, e a outros, uma oportunidade de trabalho. O coveiro caduco, que nem sente mais emoção ao enterrar mais um corpo sem vida; a lavadeira, que sustenta os seus com o término da vida, lavando e secando as sepulturas com panos imundos, e os espertos funcionários da casa paroquial, esses sim lucram com a desgraça alheia. E o dono da funerária? Que explora os sentimentos da família que perde um ente querido,aumentando o preço das urnas fúnebres. Pois é, a vida não perdoa, mesmo quando nem se tem mais vida!

Acidade cresceu em torno do cemitério que se perdia em meio às casas e ao sol ardente de meio dia, mas sempre lembrado pela mãe que perdeu o filho e pela jovem moça que ficou viúva no auge da juventude.

Mas quando chegava a primavera, a escuridão fugia para a luz prevalecer na frente do indescritível cemitério, no sorriso da garotada que manipulava com as fracas e finas mãos o fruto das árvores e molhava as pessoas que por lá passavam. Mesmo vindo uma xinga “da peste”,o sorriso infantil e inocente não saía da cara dos moleques, até que o velho guardador de corpos em decomposição chegava, acabando com a festa fora de época.

As folhas do raro jacarandá dançavam ao balançar dos ventos e ao ritmo das melodias fúnebres que consolavam as tristes lágrimas. Árvores que marcaram a minha vida, que marcam ainda o cemitério, que por sua vez, nomeou o bairro: Bairro do Cemitério! Ironicamente rebatizado como Nova Esperança. Que esperança é essa? Será que é de reviver? Ou, quem sabe, apenas poder abraçar o pai no dia dos pais, ou dar um beijo de gratidão na mãe que se foi sem despedidas para jamais voltar, e, ainda assim, na esperança de um reencontro... E a nova esperança se renova diariamente, todo dia, sem cessar.

Depredadas pelo tempo, as misteriosas árvores de origem europeia nunca pararam de florescer, as crianças cresceram, o coveiro morreu, muitos ali foram enterrados, o portão foi trocado, foi retirada toda a majestade do cemitério, que cresceu até não caber mais. Mas as árvores permaneceram dançando e chorando, parecendo plebeias com brilho no olhar de uma rainha. E, vigiando o movimento da vida na morte, continuam a sorrir, dançar, chorar e amar.

Leonardo Breno

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dores e emoções de uma descoberta

Olá, amigos, segue mais um texto de memórias literárias produzido na Escola Municipal Tiradentes, em Nossa Senhora da Glória - SE, por ocasião das oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa "Escrevendo o Futuro", edição de 2014. Este é o texto de memórias que foi selecionado pela comissão municipal e participou da etapa estadual da olimpíada. Vamos a ele:

Baú da Lembranças

DORES E EMOÇÕES DE UMA DESCOBERTA

Faz muito tempo, mas como não trazer comigo as lembranças de momentos maravilhosos iguais aos que vivi nos tempos de garotinha? Embora minha infância não tenha sido das melhores, as emoções que experimentei são inesquecíveis. 

Em 1948, Nossa Senhora da Glória, no interior de Sergipe, estava em processo de desenvolvimento. As ruas não eram calçadas ainda, havia um pequeno comércio e o que predominava mesmo na paisagem era a vegetação. Isso explica porque antes de ser denominada com o nome da santa, a povoação era conhecida como Boca da Mata. 

Eu morava onde hoje é a praça da igreja matriz. Ali, naquela época, era um imenso terreiro. Havia apenas a igreja, fileiras de casas dos dois lados, e, na frente da igreja, um terreno por onde vinham as procissões, onde aconteciam as festas de reisado. Nessas festas as pessoas se deixavam contagiar pela música, abraçavam-se entusiasmadas, pois todos eram conhecidos, era uma grande alegria.  

Mãe Velha ia à missa aos domingos. Eu, é claro, a acompanhava, apesar de não gostar muito. Ia só para me livrar dos afazeres que Mainha me mandava cumprir. Em um desses domingos, se bem me lembro, Mainha não me deixou acompanhar Mãe Velha. Foi nesse dia que vivi as dores e emoções de uma descoberta. 

Era 9h da manhã, estava limpando o moringueiro, onde se guardavam os pratos para as refeições do dia a dia. De repente, ouvi um barulho estranho vindo da rua. Parecia até quando papai comia feijoada: bloc, bloc, bloc. Quando fui correr para ver o que estava havendo do lado de fora, BLAC! Acabei derrubando todos os pratos. Fiquei apavorada. Estava com medo do que havia do lado de fora, daquele barulho, e com mais medo ainda do que iria acontecer comigo quando Mainha chegasse e visse o que tinha feito com os pratos. Mesmo assim, a curiosidade cutucava meu juízo e queria ver o que estava acontecendo. Chegando lá fora, não sei que emoção tomou conta de mim, pois minhas pernas tremiam, minhas mãos gelavam, vi uma coisa estranha, meio assustadora. Naquele momento não sei se era medo mesmo o que sentia, ou surpresa pela visão de algo tão inexplicável. Tempos depois, vim saber o nome daquele troço: era um caminhão! Foi o primeiro caminhão a chegar à minha cidade. 

Esse foi o dia mais emocionante, marcante e dolorido da minha vida. Isso por dois motivos: primeiro, é claro, porque tive a emoção de presenciar a chegada do primeiro caminhão em Glória e segundo porque levei a maior surra por ter quebrado naquele dia todos os pratos que tínhamos em casa. Essas marcas trago até hoje.

Naquela época, Dona Marizete não tinha ideia do que era um caminhão, mas nossa cidade ainda era muito pequena, pouco desenvolvida, não havia ainda luz elétrica, água encanada, nem as crianças frequentavam a escola. Nessa entrevista, ela chegou a se emocionar ao lembrar esses fatos aparentemente pouco importantes, mas que, para ela, se tornaram inesquecíveis.  

Lorena Torres - 7ª C

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sábado, 10 de setembro de 2011

Aulas Magistrais da UNICAMP

O Projeto Aulas Magistrais, da Universidade de Campinas (Unicamp), objetiva divulgar aulas ministradas por seus docentes, destinadas a alunos de graduação. Os diversos temas abordados nessas aulas são de interesse geral da comunidade acadêmica e da sociedade.

O projeto, que já conta com temas de diversas disciplinas disponibilizado gratuitamente, também estimula a interatividade, uma vez que solicita aos usuários da rede sugestões de temas para as próximas aulas a serem gravadas e disponibilizadas.

Entre as aulas já disponíveis no projeto, estão "400 anos depois. Por que ainda ler Vieira?", com Alcir Pécora; "O panorama da Arte Brasileira", por Lygia Arcuri Eluf; "O problema da liberdade no tempo da escravidão", por Sidney Chalhoub; "A Teoria dos Circuitos Elétricos, de Maxwell até hoje", por Yaro Burian Júnior; "Fisiologia do amor, da paixão e do sexo", por Miguel Arcanjo Áreas; "A medida de todas as coisas", por Alberto Saa; "Afetividade e práticas pedagógicas", por Sérgio Leite; "Obesidade em 3 atos", por Lício Velloso e "Introdução às Mudanças Climáticas Globais", por Carlos H. Brito Cruz.

Vale a pena visitar: http://www.prg.unicamp.br/aulas/
.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Processos de formação de palavras


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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Refletindo sobre concordância nominal

Autor: Jorge Henrique Vieira Santos

Tirei a foto acima há pouco mais de um mês, ao passar pelo município de Nossa Senhora das Dores, interior do Estado de Sergipe. Como trabalharia com meus alunos os casos de concordância verbal e nominal na língua portuguesa, julguei oportuno utilizar o exemplo acima para suscitar as primeiras discussões.

Algo curioso na cena, que me despertou a atenção, é o fato de haver, nitidamente, dois momentos distintos em que os dois enunciados foram utilizados para o mesmo fim: divulgar a comercialização de ovos e galinhas de capoeira.

Acredito que o enunciado da lateral direita da residência teria sido utilizado no primeiro momento, visto que se apresenta de maneira mais rudimentar. A julgar pelo aspecto geral da casa e pela conhecida realidade social em que vive boa parte da população brasileira, imagino que seu proprietário, quando decidiu comercializar ovos e galinhas para complementar a renda familiar, resolveu economizar os investimentos em publicidade e propaganda e definiu que ele mesmo pintaria o enunciado em sua residência, agora transformada em comércio. Sua divulgação ficou assim:


Enunciado 01 - “Vende-se ovos e galinha de capoeira viva e abatida”

Não há o que se discutir mais sobre a concordância do verbo que inicia essa frase. Segundo os estudos lingüísticos atuais, não há um problema de concordância nesse enunciado, uma vez que na língua falada no Brasil aconteceu uma resignificação da sintaxe de frases assim. O falante de nossa língua não considera que haja, em frases como essa, uma voz passiva pronominal, mas sim um sujeito indeterminado, o que justifica o verbo no singular. Para Bagno (1999, p.98) “O que a gramática normativa insiste em classificar como sujeito, a gramática intuitiva do brasileiro interpreta como objeto direto”. Isso pode ser comprovado no segundo enunciado, pois, embora seu autor tenha modificado a organização e flexão de alguns termos, a flexão do referido verbo permaneceu inalterada. O motivo que o teria levado a reestruturar sua mensagem não foi esse, certamente.

Como explicar então o segundo enunciado?

Acredito que nosso novo comerciante tenha prosperado e, no segundo momento, como dispunha de uma situação financeira mais favorecida, decidiu contratar mão-de-obra especializada para pintar sua divulgação comercial. Observem que, no momento em que foi tirada a fotografia, a residência está ganhando nova pintura (agora em tom escuro avermelhado) sobre a qual há o letreiro, em branco, com fontes caixa alta na primeira parte e com fontes em tamanho menor na expressão: “vivas e abatidas”. Organizada dessa forma, a propaganda mais destaque, pois o branco sobressai no tom avermelhado, principalmente se escuro, e o objeto principal de comercialização (ovos e galinhas) aparece em primeiro plano. Essa é uma estratégia de publicidade que nosso comerciante não conhecia quando pintou o primeiro enunciado, o que demonstra haver aí a participação de um profissional da propaganda. Sua segunda divulgação ficou assim:

Enunciado 02 - “Vende-se galinha e ovos de capoeira vivas e abatidas”

Pelo visto, tudo leva a crer que a intenção do comerciante era a de melhorar a publicidade seu produto. Não se sabe, no entanto, se a modificação foi sugerida pelo profissional da propaganda, pelos clientes de nosso amigo ou por sua própria consciência. O fato é que a frase publicitária foi alterada justamente no momento em que o comércio passava por uma reforma.

Apresentei essa questão aos meus alunos do 3º ano do Ensino Médio e lhes perguntei:

Por que o comerciante decidiu modificar o enunciado quando resolveu melhorar sua propaganda?

Alguns alunos apontaram a expressão “ovos e galinha de capoeira”, no Enunciado 01, como o fator que motivou a mudança. Segundo eles, essa expressão dá a entender que apenas a galinha é de capoeira, os ovos não. Daí a modificação para “galinha e ovos de capoeira”, Enunciado 02. Vamos analisar.

Parece que, para os alunos, e também para o nosso novo comerciante, quando se diz “ovos e galinha de capoeira”, o adjunto adnominal “de capoeira” não se refere a “ovos”, mas apenas a “galinha”. Como se tivéssemos:

OVOS + GALINHA DE CAPOEIRA

Já quando dizem “galinha e ovos de capoeira”, compreendem que o adjunto também se refere a “galinha”, como se tivéssemos:

GALINHA (DE CAPOEIRA) + OVOS DE CAPOEIRA

Como explicar essa compreensão se é comum que se vendam tanto ovos de capoeira quanto galinhas de capoeira nessa região?

Além disso, como explicar que o segundo enunciado tenha prevalecido sobre o primeiro?

A nova organização que a expressão ganha no Enunciado 02 cria problemas graves. A segunda enunciação produz uma afirmação cuja lógica está profundamente comprometida, pois a expressão “ovos de capoeira vivas e abatidas” é inaceitável. Mesmo assim, o segundo enunciado prevaleceu sobre o primeiro e a expressão "vivas e abatidas", embora tenha ficado em segundo plano, com letras menores, causa estranheza nos leitores, pois atenta contra os princípios de concordância da variedade padrão e da variedade coloquial.

Sabe-se que a concordância de um único adjetivo com uma série de substantivos parece estar influenciada por três fatores: a função sintática do adjetivo, sua posição e o gênero dos substantivos a que se refere. Quando em função sintática de adjunto adnominal e posposto aos substantivos, como ocorre no caso em questão, a maioria dos gramáticos afirma que o adjetivo pode concordar com o substantivo mais próximo ou ir para o plural, concordando com ambos. De qualquer forma, entende-se que o adjetivo, mesmo que estabeleça concordância apenas com o substantivo mais próximo, refere-se a todos os substantivos da série. Observem a frase:

Comprei camisa e calça branca (Exemplo 01)

Numa frase como essa, o falante entende que tanto a camisa quanto a calça são da cor branca.

Ocorre que a função de adjunto adnominal nos enunciados 01 e 02 não é desempenhada por um adjetivo, mas por uma locução adjetiva (de capoeira), que permanece invariável em situações como esta na língua portuguesa. Mesmo assim, isso não deveria interferir em sua significação, pois se tivéssemos uma frase como:

Comprei camisa e calça de linho (Exemplo 02)

Entenderíamos que a camisa e a calça são feitas de linho. Se a colocássemos no plural, teríamos:

Comprei camisas e calças de linho

Ainda assim, continuaríamos a entender que tanto as camisas quanto as calças são de linho.

No enunciados 01 e 02, no entanto, apenas o termo “ovos” está no plural. Observe o que aconteceria com o exemplo 02 se puséssemos apenas o termo camisas no plural:

Comprei camisas e calça de linho


Embora soubéssemos que o adjunto se refere aos dois substantivos da série, também teríamos a impressão de que apenas a calça é de linho, as camisas não.

Acredito que como a locução adjetiva fica invariável, portanto no singular, parece que, no entendimento de meus alunos e do comerciante, houve uma associação do adjunto adnominal do enunciado 01 apenas com o substantivo “galinha”, que também está no singular, e não com o substantivo “ovos”, que nos dois enunciados se encontra no plural. Observem:


Como, para o comerciante, o adjunto adnominal já se referia a “galinha”, faltava acrescentar à expressão o substantivo “ovos”, para que o adjunto passasse a se referir a ele também. Foi o que fez no segundo enunciado, ao inverter os termos de posição. Embora criasse uma expressão absurda, o comerciante estava mais preocupado com o fato de seus clientes não entenderem que ali também se vendiam ovos de capoeira, por isso preferiu a segunda enunciação.

O restante da frase ficou em letras menores e com menos destaque, uma vez que se tratava de uma informação adicional e não, necessariamente, essencial, pois o que importava para o comerciante era deixar claro para seus clientes que tanto as galinhas quanto os ovos vendidos eram de capoeira. Os dois adjetivos do final do enunciado passaram então para o plural por influência do termo “ovos”, do qual ficaram mais próximos. Mesmo assim, mantiveram o gênero feminino, pois se referem à “galinha”, não a “ovos”.

Foi assim, tentando compreender os mecanismos de concordância nominal da língua portuguesa numa situação real de comunicação, que iniciamos nossas discussões sobre esse assunto. Parece que dessa forma o interesse por esse conteúdo curricular ganhou uma significação maior e a curiosidade dos alunos por questões semelhantes aumentou.

Publicado em 14/08/09.

REFERÊNCIAS

BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é e como se faz. São Paulo: Loyola, 1999.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Simulado Interativo de Língua Portuguesa - PSS-01

Olá, amigos, atendendo a pedidos, aí vai um pequeno simulado interativo de Língua Portuguesa do PSS-01, com questões extraídas dos vestibulares anteriores da Universidade Federal de Sergipe para que vocês possam revisar o que estudaram.

Para melhor utilização, é necessário fazer o download, pois a correção das questões é ativada pelos cliques durante a apresentação.

Caso você prefira ver a apresentação na sequência apresentada no SlideShare, não há como verificar se acertou ou errou as questões. Além disso, algumas dicas que deveriam aparecer depois da resposta dada já ficam à mostra no SlideShare, estragando a surpresa.
Simulado Interativo de Língua Portuguesa - PSS-01

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domingo, 5 de julho de 2009

Um debate sobre "Um Copo de Cólera"

Olá, amigos, há algum tempo atrás, numa Comunidade do Orkut, travei com Ana Paula Peixoto, Edu Jazzy e Renan Lima (ex-aluno do CEMMF) uma discussão bem interessante sobre a intencionalidade do narrador-personagem dessa obra em manipular o leitor, tal qual fazia nosso brilhante Machado de Assis. Transcrevo abaixo, na íntegra, o debate. Os interessados em continuar a discussão, podem entrar na comunidade no link abaixo e mandar ver:

Comunidade - "Um Copo de Cólera"

Ah! os interessados podem também ler uma ótima resenha sobre a obra, escrita por Paola Benevides em "Um Copo de Cólera em análise".

Boa leitura.

Narrador-manipulador

25/06/07 Jorge - Narrador-manipulador

Parece-me que o narrador da novela "Um copo de cólera" busca manipular o leitor, a fim de levá-lo a acreditar que ele domina a relação com sua parceira. Faz isso para desviar-nos a atenção de sua insegurança quanto à própria virilidade. O que vocês acham disso?

04/07/07 RenanConcordo com vc Sim, o narrador tenta mostrar uma imagem de superioridade em relação a sua parceira, quando na verdade ela é dominado e fica sem reação a todo instante com as ações dela!!!!

09/07/07 Ana Paula - Virilidade de sobra
Ah, acho sim, que a idéia é manipular o leitor, mas não por insegurança em relação à virilidade; pelo contrário, o texto é uma puta manifestação de virilidade - e com muita segurança disso, até demais...

09/07/07 Ana Paula - Ele domina.
Não acho que ele fique sem reação diante dela; muito pelo contrário. Inclusive quando ele parece titubear ou recuar, é somente estratégia para nova investida. Ele está no comando o tempo interinho. Ele tem o domínio total da situação. Inclusive no último capítulo.

09/07/07 Ana Paula - Fragilidade simulada
Inclusive, quando o personagem narrador demonstra fragilidade, não passa de simulação, de encenação - mais uma estratégia para manipular o leitor. O leitor, tornado voyeur, é sua presa.

14/07/07 Jorge
Ana Paula, pareceu-me que no primeiro momento da discussão, o próprio narrador admite que a reprimenda feita por sua parceira ao seu comportamento explosivo talvez se devesse ao fato de ele "não atuar na cama com a mesma ardência empregada no extermínio das formigas". Além disso, reitera em alguns momentos da narrativa uma expressão utilizada por ela "eu não tive o bastante, mas tive o suficiente", e esta expressão, assim repetida, associada ao fato de ele também admitir, em alguns momentos, a superioridade argumentativa de sua parceira na discussão, parece mexer profundamente com seus brios. Talvez a simulação, neste caso, seja uma pseudo- simulação, ou seja, ele finge que tudo é fingimento para retirar o peso da verdade de seus ombros e isto serve como instrumento para que o leitor menospreze a informação e a tome como pouco importante. O que acha disso?


18/07/07 Edu
O sujeito que NECESSITA dominar é, na verdade, mais fraco do que o outro, ou ACREDITA sê-lo. Patente sinal de insegurança.

Por três vezes ao longo do filme (baseio-me nele para minha opinião), coloca-se um contraponto entre razão e amor. Uma vez que está em profunda confusão com seus sentimentos, descobrindo que não sabe o que é amor, o protagonista tenta agarrar-se à razão como tábua para não afogar-se. Qual a última frase da mãe no flashback c/ a família? Algo como

"Não há razão maior do que o amor".

19/07/07 Ana Paula
Obrigada por sua resposta, Jorge, gostei dela. Sim, o narrador em muitos momentos parece reconhecer, admitir, que fraqueja (ou não é tão potente) diante da moça, seja na argumentação, seja no aspecto sexual. Esses recuos o interessam, pois alimentam ainda mais sua fúria - e suas investidas se intensificam. Talvez você tenha razão, Jorge, em afirmar que a simulação seja uma pseudo-simulação (uma simulação fingida ou dupla simulação rsrs), principalmente porque ele tem em vista não só a interlocutora direta (a jornalista), mas também o leitor. Quero dizer que há um jogo de dupla enunciação aí, que devemos levar em consideração. O que eu acho é que há um grande jogo retórico ali, cheio de armadilhas para nós leitores; mas quem está no domínio retórico é ele. Bem, mas tenho outra dúvida aí (ele quem?), que surge quando toco na questão da dupla enunciação. Essa dúvida diz respeito a confusão que eu penso estar fazendo com os conceitos de narrador e o de autor implícito. O que pensam vocês, meus colegas?


19/07/07 Ana Paula
Também agradeço ao Edu as observações que fez. Edu afirma que aquele que necessita dominar é porque sente-se mais fraco. Ou, pelo menos, acredito, ameaçado de alguma maneira pelo outro. Creio que isso deve ser levado em consideração. E vou levar, sim, em minhas reflexões. Porém, não gostaria de confundir o livro com o filme...

24/07/07 Edu
Haveria aqui um jogo pessoano nessa dupla simulação, onde o protagonista "finge a dor que deveras sente"? Se o autor se confunde com o protagonista para realizar esse ardiloso jogo retórico, não teríamos que levar outros aspectos do próprio autor? Escrevi pouca ficção, mas li muito a respeito de autores. Parece que, ao menos a partir do modernismo, haveria certa tendência nos autores a colocarem traços pessoais seus nos próprios personagens, em suas obras. Mesmo que não seja regra, vejo esse subjetivismo muito forte no Raduan Nassar. O fato dele ter largado a vida em sociedade e a literatura prematuramente, tendo se isolado em um sítio, tem esse quê em comum com o protagonista do "Copo". Assim como suas raízes - e talvez algumas questões pessoais - tb estariam presentes em "Lavoura Arcaica".

Assim, penso que essa "confusão" provocada por Raduan não seja de todo proposital. Sem admirar a obra de literatura em si, sinto um certo não-distanciamento que provoca essa "fusão" entre autor e narrador.

Porém, se isso pode ser visto como falha ou incapacidade de Raduan como ficcionista, aí vou discordar. Ele estaria aproximando tanto a ficção da realidade - talvez, a sua realidade e a de muitos outros - , que é justamente esse fator que causa o impacto da obra no público.


03/08/07 Jorge
Paula, a dupla enunciação, realmente, fica em evidência. Penso, contudo, que a intenção de induzir o leitor a pensar que tudo não passa de simulação parte da personagem (o narrador) e não do autor- implícito. Observe os trechos abaixo:

“ator, eu só fingia, a exemplo, a dor que realmente me doía. Eu que dessa vez tinha entrado francamente em mim, sabendo, no calor aqui dentro, de que transformações era capaz (...)”

“Por alguns momentos lá no quarto nós parecíamos dois estranhos que seriam observados por alguém, e este alguém era sempre eu e ela, cabendo aos dois ficar de olho no que eu ia fazendo (...) e eu, sempre fingindo...” (NASSAR, 1992, p. 10).

“...eu na rusticidade daquele camarim...” (NASSAR, 1992, p. 33).

“...forjando dessa vez na voz a mesma aspereza que marcava a minha máscara...” “...eu puxava ali pro palco quem estivesse ao meu alcance, pois não seria ao gosto dela, mas sui generis, eu haveria de dar espetáculo sem platéia..." (NASSAR,1992, p. 34).

“(ela sabia representar bem seu papel) entrou de novo em cena me dizendo...” “... precisava mais do que nunca para atuar, dos gritos secundários duma atriz, e fique bem claro que não queria balidos de platéia”. “...fiquei parado (...) um ator sem platéia, sem palco, sem luzes, debaixo de um sol já glorioso e indiferente” (NASSAR, 1992, p. 38)

Reconheço, contudo, que para continuarmos nossa discussão acerca desse aspecto, preciso estudar melhor a noção de "autor-implícito" e fazer novas incursões na novela de Raduan. Só lamento não dispor de tempo para isso no momento, mas assim que o fizer, voltaremos a discutir.

03/08/07 Jorge
Ah, retomando o que o Edu citou de Pessoa "a dor que deveras sente", penso que há também na novela de Raduan um caráter significativo de intertextualidade, que merece ser examindo com atenção. É bastante proposital, Edu: “ator, eu só fingia, a exemplo, a dor que realmente me doía. Eu que dessa vez tinha entrado francamente em mim, sabendo, no calor aqui dentro, de que transformações era capaz (...)”.

15/08/07 Ana Paula - Narradores, interlocutores e autor implícito
Sim, não podemos esquecer que o narrador tem dois interlocutores. Um é a jornalista, com quem desenvolve todo um embate dialógico, e o outro é o leitor, para quem ele conta a história. No último capítulo, surge a nova narradora, que por sua vez também trabalha com essa duplicidade enunciativa. Por trás de tudo isso, optando por essa ordenação de vozes (primeiro a dele, do homem, que apresenta a fala dela editada, envolta e colorida pelos comentários dele, e finalmente - por último - a voz feminina), está o autor implícito.

As perguntas que se colocam, então, são as seguintes: por que a fala masculina ocupa a maior porção de páginas? por que a fala feminina ocupa justamente o final da narrativa? há uma hierarquia aí, ou não, pelo contrário, estabelece-se um equilíbrio entre ambos os narradores?

26/08/07 Jorge
Por que a fala masculina ocupa a maior porção de páginas?

Poque é justamente o machismo (e não o feminismo) que estaria sendo posto em cheque pelo auto-implícito, não pelo narrador-personagem. A voz narradora é machista. Embora reconheça o tempo todo suas fraquezas e sua inferioridade em relação à figura feminina (aqui encontramos um conflito entre a voz narradora e o autor-implícito), o personagem-narrador não adimite completamente a derrota e busca convencer o leitor (e a si mesmo) que está no controle da situação.

por que a fala feminina ocupa justamente o final da narrativa? há uma hierarquia aí, ou não, pelo contrário, estabelece-se um equilíbrio entre ambos os narradores?

A fala feminina encerra a questão, ou seja, confirma a superioridade da personagem feminina em relação à masculina, mostra ao leitor que, embora, o narrador-personagem busque ressaltar sua posição de comando (inclusive na simulação criada neste capítulo), é a mulher quem está no controle e lhe permite (ao simular submissão) a pseudo-sensação de "macho dominador". Sem permitir a réplica por parte do narrador-personagem, termina-se a obra com o ponto de vista dela (o mais importante), que, embora ocupe menor espaço na narrativa, é decisivo e contundente, uma vez que encerra a questão.


22/04/08 Ana Paula - Simulação
Pis ainda não estou bem convencida disso. Pra mim, naquele capítulo final, ela fala só porque ELE DEIXA, porque ele dá a vez - não sem antes deixar todo um cenário armado. Pra mim, ali há uma grande armadilha, na qual tanto ela quanto o leitor acabam caindo bem bonitinho... Será que não?

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sábado, 20 de junho de 2009

Emprego de crase

Atendendo a pedidos, seguem alguns slides sobre o emprego de crase em Língua Portuguesa. Bons estudos.
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sábado, 6 de junho de 2009

Verbos - parte 1 e 2

Atendendo a pedidos, vamos estudar um pouco de verbos. Abaixo, temos dois slides com algumas informações básicas sobre verbos, seu conceito, flexões e formação dos tempos simples, verbos regulares que merecem nossa atenção, verbos irregulares, anômalos e defectivos. Em seguida, temos uma atividade para fazer: PALAVRAS CRUZADAS!
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E aí, o que achou da proposta? Vamos estudar verbos?










Clique na figura abaixo e faça as palavras cruzadas! (link corrigido)

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Letrar é mais do que alfabetizar

As discussões sobre concepções de ensino de língua são sempre atuais. Uma das mais importantes estudiosas do assunto, a professora da UFMG Magda Soares, há algum tempo deu uma entrevista ao Jornal do Brasil sobre letrar e alfabetizar simultaneamente. Uma de suas falas sintetiza seu pensamento sobre a questão:

"Se uma criança sabe ler, mas não é capaz de ler um livro, uma revista, um jornal, se sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada".



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