terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Eita Manoel Messias que dá gosto!


O Governo do Estado de Sergipe vai homenagear alunos da rede pública aprovados no vestibular


Nesta quarta-feira, 4, a partir das 19h, no Clube do Banese, bairro Coroa do Meio, em Aracaju-SE, o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação (SEED), prestará uma merecida homenagem aos alunos da rede pública estadual aprovados no vestibular 2009. E mais uma vez, o Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, de Nossa Senhora da Glória, estará sob os holofotes, dando novamente motivos de orguho para o povo gloriense.

Serão oferecidos troféus não apenas aos alunos, mas também às escolas e aos Polos do Pré-Universitário que se destacaram no processo seletivo da Universidade Federal de Sergipe. Neste vestibular foram aprovados 2.242 alunos provenientes da rede pública de ensino.

A cerimônia iniciará com a entrega de troféus para as três escolas da rede estadual que se destacaram em número de alunos aprovados no PSS, da UFS:

1º lugar - Colégio Estadual Dom Luciano, de Aracaju, com 67 aprovações;
2º lugar - Colégio Estadual Murilo Braga, de Itabaiana, com 45 aprovações;
3º lugar - Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, de Nossa Senhora da Glória, com 39 aprovações.

Em seguida, virá a premiação dos três Pólos do Pré-Universtário campeões em aprovação: 1º lugar - Polo instalado no Colégio Murilo Braga, de Itabaiana, com 75 aprovações; 2º lugar - Polo sediado no Colégio Estadual Abelardo Romero, em Lagarto; 3º lugar - Polo do Colégio Severino Uchoa, na capital, com 50 aprovações.

A premiação dos alunos aprovados será oferecida aos três melhores do ensino regular, os três melhores do curso Pré-Universitário e os cinco que obtiveram a primeira colocação nos seus cursos. Dentre esses últimos, está o aluno João Paulo Santos Silva, do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa (Glória), que foi aprovado em 1º lugar no curso de Letras Português/Licenciatura.


É importante que se diga que esses resultados, além do mérito justo dos alunos que os conquistaram, são frutos dos esforços, do trabalho, da dedicação e da competência de uma categoria profissional que sempre é lembrada pelos percalços que encontra em seu caminho, uma categoria que demonstra diariamente seu valor e importância na construção de um país melhor e mais digno, uma categoria a quem quase nunca sao prestadas as merecidas e devidas homenagens, mas que se constitui na primeira instância das mudanças que se almejam numa sociedade: Os digníssimos e honrados PROFESSORES, a quem devoto os meus mais sinceros aplausos.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quem viu o Mateus que balance, que dance, que encante













*Evellyn de Almeida Santos


“O reisado é uma coisa muito bonita de ver... E de dançar! A gente tem o maior prazer de brincar, a gente esquece o mundo, as amarguras da vida. Quando ouço o Mateus, figura do reisado, gritar, o meu coração explode... Sinto uma descarga e o corpo começa a balançar.

A cabeça também balança. Se é para contar, falar um pouco do meu lugar, deixe eu me sentar.”

Direta, franca, engraçada, com um jeito solto, especial, uma risadinha aqui, uma gargalhada acolá, que a brincante do reisado de São José da Caatinga, dona Marilene Moura, 68 anos, mergulha nas suas memórias.

“Antigamente tudo isso aqui era só caatinga, areia alvinha... Casas de palha e taipa. Poucas eram de tijolos. Não tinha energia, nem água encanada. A gente ia pegar água no poço, onde hoje é a Fonte da Juventude. Agora, não! Hoje é só abrir a torneira que a água cai como cachoeira.

As ruas eram de barro. Muito mato e muita areia. Mato misturado com areia, misturado com as casas. Mato, areia, casas eram um quadro só, um quadro com as cores da pobreza. Comer carne, arroz! Só dia de domingo, e olhe lá! A gente comia era candunda (espécie de peixe pequeno), barbudo (camarão pequeno) e os peixes que a mamãe pescava – era isso com farinha. As panelas eram de barro, frigideiras também. Eu lavava os pratos numa agdá – tipo de bacia de barro – com água que pegava do poço.

Sabonete, xampu, creme dental, essas coisas eram caras na época. Lá em casa não tinha, o banho era com água e sabão de lavar roupa. No cabelo se passava vaselina, brilhantina. Sabe o que é isso? É um tipo de pasta, uma banha, como se fosse cera de polir carro. Ela deixava os cabelos umedecidos, como um tapete bom de alisar.

Coisa era pra dormir. Dormiam duas ou três pessoas na mesma cama. E eram bem rústicas, eram de cordas trançadas, chamávamos de cama de vento, de vara, com esteira por cima, que servia de colchão. Dormia com meu irmão numa cama só. Nossas roupas eram de chita (um tipo de tecido), usávamos também umas anáguas, o calçado era tamanco, feito de madeira com tira de napa. Agora nossa vida é outra. Tudo mudou, e a chita, só quando vamos brincar reisado.

O Natal era festejado nas ruas, tinha leilões, rodas-gigantes, carrossel, barcos. Tinha feirinhas e as frutas da caatinga: ‘cambucá’, ‘quaresma’, ‘canela de véio’. Havia também os doces mágicos de dona Zilina: amendoim torrado, dentro de barquinhos, casinhas confeitadas de crepom e laminado.

E após a missa lá vinha o mestre Juarez com seu reisado... O Mateus era o mestre e o mestre se foi. E é a gente que balança esse estandarte verde e escarlate.”

*Texto de Memórias com o qual a aluna Evellyn de Almeida Santos, da Escola Municipal Vereador João Prado - São José da Caatinga - Japaratuba-SE, recebeu medalha da prata na Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro” – 2008.

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